quinta-feira, 3 de abril de 2008

Pampa, meu país.

Hoje vou demonstrar um pouco de um lado meu que raríssimos conhecem.

Recebi um e-mail de um cidadão brasileiro totalmente abismado com a situação que o Acre vive há anos, ou talvez décadas. Uma realidade de vida que muitos brasileiros não conhecem, e que pode surpreender mesmo. No bendito e-mail o narrador nos mostra um Brasil sendo tomado pelos americanos, onde extraem os bens que querem sem dar contas a ninguém. Obvio que sou contra um território americano em pleno Brasil, poucas coisas dos Estados Unidos, a meu ver, prestam. E não acredito que os americanos entrariam a forca em território acreano para libertá-los, ate por que o Brasil não esta segurando o estado com forca nem violência. O autor faz um apelo a uma guerra para restituir este território que já não tem mais uma identidade brasileira, retratos de uma globalização iminente, onde não há mais uma única identidade na cultura. Vivemos em uma “mistureba” gostosa de tradições, línguas, culturas e sociedade. E antes de tudo, seria importante perguntar aos acreanos se eles gostariam de continuar pertencendo ao Brasil, utópico? Muito! Brasil, pais soberano, libertando estados descontentes com seu governo seria evolução demais. Eu tenho mesmo mania de sonhar.
Parece-me que o governo se preocupa com coisas tão supérfluas, que não tem tempo para ver o que realmente acontece no país, principalmente nos seus extremos. E se o estado não consegue administrar esses extremos, o melhor não seria dar a independência a eles? Vivemos num país tão grande que de repente a raiz dos problemas seja a falta de capacidade de gestão de um território tão amplo.
Essa situação me fez recordar de uma situação que no extremo sul do país também e vivida diariamente: O desejo de cada gaúcho de ter a sua Republica dos Pampas. Dizem que e besteira, mas e uma paixão, uma forca maior. O sonho não morreu na guerra dos Farrapos, o sonho se mantém vivo no coração de cada sulista. E nesse ponto eu sou extremamente separatista. Posso estar a anos fora do meu país, contudo a paixão continua aqui dentro. Nós temos um jeito de fazer política diferente, uma cultura, um jeito de falar próprio da região, um radicalismo a flor da pele, uma intelectualidade avançada, uma historia rica, ainda existe ideologia, uma economia auto-sustentável que muito bem pode viver como outros países, importando o que não tiver em seu território , e o mais importante: Uma vontade de fazer um pais diferente! Existe a corrupção como em qualquer lugar, o que seria da política sem corrupção, mas o quadro e revertido pela cultura, o nível de educação pode ser um bom caminho para uma menor corrupção. Gaucho e gaucho antes de ser brasileiro, gaucho e gremista ou colorado e quando tem jogo ele prefere torcer por um dos times da região do que para a seleção brasileira.
Diferenças culturais existem no país inteiro, não seria uma boa desculpa para uma separação, porem veja se o sul esta integrado no Brasil, na sua política e no seu jeito de ser, não, não esta. A colonização foi diferente, as descendências são diferentes, então a nossa rica herança nos presenteou com capacidades e ideais diferentes. Não se trata de racismo, fascismo, nazismo como muitos gostam de pontear, trata-se de diferenças e de desejo. Irton Marx luta por isso a anos e foi presenteado com uma repreensão da policia federal. Onde esta a liberdade de expressão? A liberdade de manifestação pacifica? Sim, e um movimento seccionista, muito perigoso para o Estado brasileiro (no olhar deles; na realidade um movimento inofensivo e pacifico), mas vale a pena para o Brasil manter um país preso a eles só por território?
“A união do povo gaúcho será a união para o progresso cooperativo na construção de uma grande nação.” O sangue Farroupilha ainda corre em minhas veias e se depender de cada um desses, logo estaremos cantando o hino da Republica Rio-Grandense.
A proposta de separação e considerada inconstitucional, pois fere o primeiro artigo da constituição brasileira onde está explicito que a republica brasileira e formada por uma união indissolúvel dos estados. A proposta dos gaúchos e um plebiscito em que o povo decidiria se quer ou não fazer parte do Brasil, contudo, não e um meio eficaz, na historia mundial o único meio de separação ate hoje foi o uso da forca, poder esse que não e de natureza própria dos sulistas, que consideram mais importante os meios intelectuais e de voto popular.
Ate por que queremos simplesmente a restituição de nossa republica, independente ela já foi proclamada em 11 de Setembro de 1836, ate hoje na bandeira do Rio Grande do Sul esta la inscrito Republica Rio-Grandense. Só temos que mostrar que a luta de nossos antepassados não foi em vão. Uruguai, Inglaterra e França reconheceram o Rio Grande do Sul como Nação independente. Queremos agora uma autonomia política e um reconhecimento do Brasil da nossa independência. Estamos já no ano 172 de nossa nação, muitas propostas por serem concretizadas e muita luta pela autodeterminação.
Viva os Pampas!!
Quando de longe se escuta um acordeão tocar, qualquer pedacinho de querência, um rebenque, um laço velho, uma cuia de mate serve para remediar a saudade...
Porque matar, não mata. Saudade gaúcha é muito mais.
E o Rio Grande para nós é como Sol, longe dele não há vida... É só saudade...

Para saber mais: http://www.pampalivre.info/index.html

Um comentário:

Michael Genofre disse...

Bom, primeiro ao caso acreano: o email do qual você trata, na verdade fala do Amapá. Mas, de qualquer forma, chamou-me a atenção num quesito importante sobre o Acre: o acreano lutou e luta até hoje para ser brasileiro. Não se trata de um outro país, nosso imenso Brasil é cheio de contradições e misturas, isso faz o que há de bom e ruim em nosso país.

Quanto ao separatismo, não travarei agora o debate, prometo escrever algo sobre o assunto em breve. Mas, permita-me manifestar desde já contrário.

As polêmicas são o sal da amizade. Mas continue escrevendo, que eu sigo enquanto entusiasmado leitor. Beijos